Tecnologias digitais na escola: cinco maneiras de aprender pelas telas

As tecnologias digitais estão presentes desde o início da formação de crianças  e adolescentes. Se, no passado, era necessário cursos de informática e capacitação para o uso de tecnologias, atualmente, esse processo ocorre de maneira natural e intuitiva. Nesse sentido, escolas, programas de ensino e educadores têm se adaptado para inserir metodologias digitais na sala de aula. Assim, o objetivo é adequar a experiência de aprendizagem a um universo que já é realidade no dia a dia dos alunos.

Conforme explica a assessora de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento (CIPP) do Colégio Positivo, Micheline Castelli de Souza, o uso de tecnologias digitais potencializa o processo de ensino e aprendizagem em diversos aspectos. Isso porque as tecnologias possibilitam uma experiência interativa com o mundo externo à escola. Dessa forma, ajudam a desenvolver habilidades, estimulam o engajamento, além de favorecer o trabalho colaborativo e o protagonismo criativo de cada aluno. Além disso, outra vantagem é que facilitam a comunicação entre professor e estudante. “As tecnologias digitais vêm realmente revolucionar a educação, para esse fim pedagógico e em todas as disciplinas”, afirma. 

Todas as etapas de ensino podem explorar as tecnologias. Entretanto, as metodologias e processos aplicados a cada faixa etária diferem. Um dos principais desafios em incluir o uso de tecnologias é a formação continuada de professores. Isso é necessário para estimular a inovação nos processos educacionais adequados a cada segmento. De acordo com a professora do Programa Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná, Glaucia da Silva Brito, a formação dos professores para o uso das tecnologias não pode ser só técnica. “O uso de tecnologias no processo ensino e aprendizagem tem que ir para além da simples transmissão de informação e de conteúdo”, diz.

1. Plataformas de ensino 

Plataformas de aprendizado corporativo, como a Brightsapace, da D2L, e a Google for Education, do Google, são utilizadas para todos os segmentos de ensino, em modelos híbrido ou remoto. Assim, elas trazem fóruns de debate, acesso a conteúdos complementares e a realização de atividades colaborativas. Esses programas integram ferramentas diversas para incentivar o aprendizado com experiências digitais. A Google for Education oferece, por exemplo, traz aplicativos de alfabetização digital para uso com as famílias. São ferramentas que estimulam a criatividade, além de oferecer planos de aula e lições sobre programação.

2. Podcasts

Os podcasts podem ser trabalhados pelos educadores em todos os segmentos de ensino e faixas etárias. Foto: Pexels

Os podcasts são programas de áudio gravados que estão cada vez mais integrados ao dia a dia da sociedade. Também foram incluídos nas escolas como recursos didáticos, desde a educação infantil até o ensino superior. “O aluno da Educação Infantil não vai produzir um podcast sozinho, mas com apoio ele pode. É possível trabalhar uma contação de história em forma de podcast. Eles podem participar com a própria voz dependendo do tema que estão trabalhando”, explica Souza.

No Colégio Positivo, essa ferramenta também é utilizada como produto desenvolvido por alunos do Ensino Médio como atividade integrada com várias disciplinas. De acordo com a professora, essas produções estimulam inclusive a descoberta da escolha pelo futuro profissional. Isso é possível a partir dos temas que são trabalhados, como esporte e cultura, ciência e tecnologia.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou um Guia de Possibilidades Pedagógicas com orientações a educadores e famílias para explorar o podcast “Deixa que eu te conto”. O programa traz histórias e brincadeiras para crianças da educação infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental. Está disponível no Spotify, no YouTube e na plataforma oficial do programa.

3. Redes sociais

Outro recurso digital que pode ser usado na sala de aula são as redes sociais, já utilizadas pelos alunos. São plataformas como o Tik Tok, um aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos. Ou como o Reels, uma opção semelhante oferecida pela rede social Instagram. Essas redes podem ser opções de canal para entrega de atividades para avaliação. Essa iniciativa, que interage com o universo pessoal de cada estudante, favorece o engajamento. “É uma geração que já está conectada, já tem esse acesso à informação com muita facilidade. Então, essas tecnologias permitem que as crianças consigam participar de uma forma mais ativa e próxima de suas realidades”, explica Souza.

4. Aplicativos para atividades colaborativas

A inclusão de uma cultura digital nas escolas adequa a experiência de aprendizagem a um universo que já é realidade no dia a dia de crianças e jovens. Foto: Pexels

Uma das potencialidades no uso de tecnologias digitais na educação é a experimentação de novos modelos de atividades colaborativas. Por meio de ferramentas de gerenciamento de projetos, como Trello e Slice, é possível formular trabalhos em equipe de forma mais interativa. Os aplicativos permitem a interação simultânea, assim como a organização de atividades por meio de checklists, boards e murais. Para alunos do Ensino Médio ou Superior, essas ferramentas preparam para práticas utilizadas no mercado profissional e estimulam o trabalho em equipe.

5. Realidade aumentada e virtual

Uma prática interessante para transformar a experiência dos alunos por meio de tecnologias digitais tem sido o uso dos recursos realidade aumentada e virtual. A realidade aumentada reproduz imagens digitais no mundo real. Já a realidade virtual pode inserir os estudantes em espaços tridimensionais digitais. Essas atividades possibilitam, por exemplo, levar os estudantes a visitas guiadas a museus e exposições. Ou, ainda, ver obras de arte em tamanho real, como disponibilizado pela ferramenta Google Arts & Culture.

Dessa forma, em uma aula de história ou ciências, o educador pode projetar um animal pré-histórico na sala de aula em realidade aumentada. Ou, então, partes do corpo humano, apenas com o auxílio da câmera de um celular, também por recurso oferecido pelo Google. Entretanto, é preciso lembrar que essas alternativas necessitam de infraestrutura, como celulares de modelos recentes e óculos para realidade virtual. Mas a vantagem é que transformam a experiência de aprendizagem dos alunos de todas as idades.

Leia também:
<<< Videoaula e redes sociais despontam na jornada do aluno
<<< Como formar leitores na era digital?