Como implementar o Projeto de Vida no Novo Ensino Médio

Em fevereiro de 2017, depois da mobilização de escolas, professores e profissionais da educação de todo o Brasil, foi sancionada a Lei nº 13.415/2017, com novas diretrizes e bases da educação nacional. Em 2018, foi homologado o documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a etapa do Ensino Médio. Agora, as escolas de todo o país têm até março de 2022 para implementar o novo modelo. Dentre as mudanças, o Projeto de Vida se tornou um dos componentes curriculares do Novo Ensino Médio.

O que é o Projeto de Vida no Novo Ensino Médio?

Segundo a BNCC, o Projeto de Vida é uma das dez Competências Gerais da Educação Básica para o desenvolvimento integral do estudante. Conforme descrito na competência número 6, “Trabalho e Projeto de Vida”, seu objetivo é:

“Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade”.

Apesar de ser indicado para todas as etapas de aprendizagem, para o Novo Ensino Médio, a inclusão do Projeto de Vida no currículo das escolas é obrigatória. Uma vez que é a última fase da Educação Básica, os estudantes estão mais próximos do mercado de trabalho ou da escolha por um curso superior. Nesse sentido, o desenvolvimento de algumas competências orienta os jovens a planejar seu futuro nos âmbitos pessoal, profissional e social. 

Para o educador do Colégio Marista Santa Maria, Douglas Rocha Paixão, o Projeto de Vida é importante para gerar reflexões sobre a vida. “O jovem vivenciará um processo contínuo de discernimento em várias aspectos da sua vida, de maneira que perceba possibilidades, caminhos  e compreenda seu espaço no mundo, evidenciando um significado para sua vida”, destaca.

O caso de uma escola piloto

projeto de vida no novo ensino médio
No CEMI os alunos se encontram todas as semanas para trabalhar o Projeto de Vida. Foto: Divulgação

No Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama, uma das escolas de referência do Distrito Federal, em Brasília, a implementação do Novo Ensino Médio já aconteceu. É uma das escolas piloto que adiantaram a experiência com o novo currículo. Lá, a inclusão dos encontros de Projeto de Vida foram vistos com bons olhos. “Acho que é um diferencial muito grande no novo ensino médio. O Projeto de Vida veio para agregar e muito”, afirma o diretor da escola, Lafaiete Formiga. 

No Cemi, duas professoras trabalham com o componente curricular Projeto de Vida. Os encontros ocorrem semanalmente e fazem parte do currículo dos estudantes em todos os semestres do Ensino Médio. 

Como propor atividades

As atividades se diferenciam a depender dos anos anos letivos. Enquanto alunos do primeiro ano trabalham com reflexões sobre autoconhecimento, no segundo, o foco é nas relações interpessoais. No terceiro ano, com os alunos mais próximos do mercado de trabalho, os encontros se voltam a pensar sobre o futuro das profissões, o mercado profissional e o desenvolvimento de soft skills, como liderança e autoconfiança. Além disso, atividades práticas ensinam a elaborar currículos e preencher fichas de trabalho.

projeto de vida no ensino médio
As atividades se diferenciam a depender do ano letivo. As professoras trabalham com autoconhecimento, relações interpessoais e mercado de trabalho. Foto: Divulgação

Maria Zilma Conceição de Araújo, uma das professoras nessa função, explica que o Projeto de Vida da escola propõe questionamentos que estimulam o desenvolvimento pessoal e social dos estudantes. “São atividades sempre voltadas para refletir e pensar sobre como eles são”, destaca. Para isso, utilizam rodas de conversas, jogos, atividades lúdicas, leituras de histórias e ferramentas interativas. 

Projeto de Vida a partir de temas

Além disso, Douglas Rocha Paixão sugere que o Projeto de Vida deve ser trabalhado a partir de temáticas que fazem parte do cotidiano do jovem, seja relacionado ao autoconhecimento ou a compreensão do mundo. Nesse sentido, é interessante gerar reflexões sobre temas como amizades, família, sonhos, estudos, espiritualidade, valores, talentos, desigualdades, justiça e solidariedade.

“Falar em projeto de vida é oportunizar espaços para o estudante observar a sua vida e como ele faz parte do mundo. Ao mesmo tempo, pensar em como alguns fatores externos implicam em situações na vida do estudante”, destaca Paixão.

Dessa forma, essas reflexões podem ser abordadas a partir de uma proposta interdisciplinar, somando as temáticas do Projeto de Vida às disciplinas tradicionais. “É possível dialogar sobre perspectivas financeiras com o conteúdo de matemática. Em história, é possível observar a sua própria história de vida, os grandes momentos importantes de sua vida e de que maneira eles corroboram em seu amadurecimento”, explica o educador.

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