Por que a formação para a tecnologia é essencial para os educadores

Ela está em todos os lugares: nas ruas, nas casas, no trabalho. Estamos falando da tecnologia, tão presente em todos os espaços sociais e que agora se faz cada vez mais presente no dia a dia das escolas. Mas será que os educadores estão preparados para incluir a tecnologia – e a formação para a tecnologia – em sua rotina pedagógica? 

De acordo com um estudo recente, feito pelo Clayton Christensen Institute sobre a adoção do ensino híbrido, o maior entrave em relação à implementação da tecnologia na rotina escolar é de ordem humana. Isso porque 79,1% dos 110 entrevistados no Brasil apontaram o desenvolvimento profissional de qualidade como o principal desafio. Para se ter uma ideia do problema, a questão da conectividade e estrutura aparecem em segundo e terceiro lugar, com 62,7% e 41,8%.

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Para a educadora Luciana de Brito de Oliveira, professora da Escola Municipal Professora Alzira Horvatich, de Arapongas (Paraná), este desafio muitas vezes começa com a resistência do próprio profissional. “Muitos professores têm dificuldade em relação à tecnologia, como mexer no celular, no computador. E acabam tendo medo quando pensam na possibilidade de ensinar com ferramentas tecnológicas para alunos que já nasceram neste mundo digital”, explica. Atualmente professora de Geografia e Robótica, Luciana foi responsável, por quatro anos, pela formação para a tecnologia dos educadores da rede pública do município. Isso porque em 2018 Arapongas deu início a um projeto inovador, ao incluir o ensino de Robótica na grade dos alunos do 1º ao 5º ano do ensino municipal.

Professores da Rede Municipal de Ensino de Arapongas passam pela formação em Robótica ofertada pela equipe da Brink Mobil. | Foto: Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Arapongas.

Quebrando paradigmas

Neste sentido, Luciana explica que a formação para a tecnologia é fundamental. Não apenas para demonstrar como as ferramentas podem ser aplicadas pelos educadores, mas para quebrar paradigmas. “Quando se fala em robótica, por exemplo, muitos pensam em fios, cabos, e que é apenas sobre ensinar a construir um brinquedo. Mas por meio dela podemos trabalhar muitos conceitos de língua portuguesa, matemática, geografia e outras disciplinas”, defende.

O entendimento do uso da tecnologia como meio e não fim, aliás, é uma das formas de acabar com esta resistência que muitos educadores ainda têm na hora de encarar uma ferramenta tecnológica. Mas tudo passa pela formação, afirma Luciana, que durante os quatro anos que trabalhou na Brink Mobil, como capacitadora, foi responsável pela formação de dezenas de professores envolvidos no projeto. Atualmente, 100% das 24 escolas municipais de Arapongas incluem a Robótica na sua rotina, atendendo cerca de 7 mil crianças.

Fundamental

Mais que modismo, o uso da tecnologia em sala de aula é fundamental para levar conhecimento de forma mais atraente para os nativos digitais, ou seja, a geração que já nasceu com acesso a essa tecnologia. De acordo com o mesmo estudo da Clayton Christensen Institute, 79% dos entrevistados apontaram que os alunos tinham um maior envolvimento durante as atividades que faziam uso de ferramentas tecnológicas. Além disso, 72% dos entrevistados afirmaram que ela melhora o aprendizado emocional e social dos estudantes. “Esta galerinha está ligada no Tiktok, então porque não trazer isso para a sala, e incentivar que façam um Tiktok educacional? Só que para isso é preciso que o professor saia da sua zona de conforto e busque coisas novas”, exemplifica Luciana.

Formação para a tecnologia
O uso de tecnologias em sala de aula contribui para o maior envolvimento dos alunos.| Foto: Pexels

Formação para a tecnologia

Neste sentido, a capacitação também pode contribuir para que se crie, entre os educadores, cada vez mais uma cultura de formação continuada. “Mais importante que a própria formação é o ato de estar sempre em constante evolução e aprendizagem”, afirma Silvana do Rocio Zilli, coordenadora de tecnologias educacionais da Brink Mobil.

Ela afirma ainda que o processo de desenvolvimento das tecnologias voltadas ao uso escolar passam não apenas pelo produto, mas englobam justamente esta formação para a tecnologia. “As nossas soluções vão além do produto. A Brink Mobil acredita na formação dos educadores, e por isso promove cursos e acompanhamento depois que os projetos são implantados”, explica.

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Segundo ela, esse processo, que pode ser feito presencialmente ou de forma remota, permite que se explorem todas as especificidades do produto. Contudo, contribui também para que se descubram novas maneiras de uso, conforme a necessidade percebida em sala de aula. “Mais que trazer respostas prontas, o objetivo da capacitação é mostrar algumas situações e fazer uma troca com os professores.”

O futuro da educação

Para os que ainda são resistentes, Silvana alerta que o uso da tecnologia na educação, acelerado pela pandemia, é um caminho sem volta. “O que a gente viu com a pandemia é que os educadores que ainda tinham resistência tiveram que fazer uso da tecnologia. Ela foi a salvação nesse momento, teve grande importância. E agora percebemos que não podemos mais trabalhar sem ela”, defende. 

E quando se fala em tecnologia, Silvana adverte que ela vai muito além da Robótica. “São inúmeros os recursos que usam tecnologia digital. Sejam softwares, programação, ou o uso da tela interativa, que traz novas formas de trabalhar conteúdos audiovisuais. O que precisa ficar claro é que elas vêm para somar. E não substituir a troca entre professores e alunos. Eles renovam o trabalho em sala de aula.”

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