Ensino privado será um negócio ainda mais lucrativo nos pós-pandemia

O GLOBO | 16/08/2021

Chaim Zaher, presidente do Grupo SEB

À frente do Grupo SEB, gigante da educação básica privada do país, Chaim Zaher avalia que, no atual cenário, o movimento de consolidação no setor tende a crescer. Ele mesmo, que fechou a compra da tradicional escola Carolina Patrício, no Rio, no mês passado, já prospecta outras aquisições.

E trabalha para inaugurar uma filial da rede na Zona Sul em 2022, quando pretende concretizar a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Maple Bear, franquia internacional de escolas bilíngues.

O IPO, antecipa ele, poderá incluir outras marcas do grupo. Isso se as turbulências do ano eleitoral permitirem, diz, em entrevista ao GLOBO, o homem que foi bedel e se tornou um dos principais empresários do setor.

Qual o impacto da crise da pandemia no setor privado?

As escolas mais tradicionais, no geral, não perderam muito. A crise afeta principalmente quem tem tíquete (mensalidade) entre R$ 700 e R$ 1.000, o grupo que teve muito problema. Acima desse patamar, no geral, houve equilíbrio. As escolas negociaram com as famílias.

Nas premium, com mensalidades acima de R$ 2 mil, muitas cresceram. As que têm preço mais acessível e grande número de alunos, até para equilibrar custos, sofreram mais. Conforme a economia melhorar, os pais retornam seus filhos (da rede pública) para as escolas (privadas), porque acreditam nessa escolha.

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Por que o segmento ‘premium’ é resiliente?

São escolas que focam num público que vai crescer muito, porque busca isso. É quem tem renda mais alta e teve essa condição mais preservada na pandemia. Quem pode dar escola premium para o filho, vai priorizar. Ainda mais com a crise, a educação vira prioridade das famílias que podem pagar. Os pais se esforçam para preservar isso, mesmo que tenham de deixar de viajar, de comer fora. Não quer dizer que não houve perdas. Não dá para jogar mensalidade lá em cima.

A crise institucional no país, com ataques à democracia, afeta o setor de educação?

Prejudica não só a educação dos alunos, mas do país. Fica todo mundo perdido, sem saber o que vem pela frente. E o efeito na economia bate no bolso de todo mundo, do trabalhador ao CEO. É ruim deixar as pessoas desalentadas, sem motivação. Se não houvesse esses conflitos internos, com a riqueza incrível que temos, poderíamos estar lá na frente. Todo cidadão deveria ter voz. E tem: nas urnas.

Fonte: Glauce Cavalcanti (Jornal O Globo)

‘Com a crise, educação vira prioridade de famílias que podem pagar’, diz Chaim Zaher, do Grupo SEB – Jornal O Globo

Foto: Agência O Globo