Emoções e indisciplina na volta às aulas

*Por Marcos Meier

Depois de tanto tempo “fora do eixo”, as crianças e adolescentes voltarão para a escola transformados. Uma boa parte deles virá com problemas de comportamento. Por que digo isso? Porque a forma mais fácil e rápida de tentar resolver uma situação de indisciplina, desobediência ou falta de respeito é simplesmente “deixar pra lá”. Bem, eu disse “tentar”, pois evitar problemas dessa forma é na verdade adiá-los. E infelizmente muitos pais não exercem sua autoridade de forma saudável.

Quais as consequências desse tipo de educação? Mais indisciplina! E obviamente quem sofre são os professores, ou a escola toda, pois outros funcionários acabam tendo que “entrar no jogo”.  Há escolas em que os professores retiram da sala os indisciplinados e enviam para a coordenadora. Ela, em vez de exercer suas funções pedagógicas e organizacionais acaba tendo que “apagar incêndios” o tempo todo. Conversar com o aluno indisciplinado, ouvir sua versão, procurar soluções, marcar conversas com pais quando o comportamento é muito frequente ou exagerado, combinar posturas e consequências, e por aí vai. Horas perdidas semanalmente porque há pais que transferem a autoridade para a escola. “Vocês que resolvam, pois lá em casa ele não faz isso!”.

E depois de um ano e meio em casa “desaprendendo” as regras e os comportamentos adequados, eles voltam para as salas de aula! Como fazer? Como compreender e agir de forma acertada?

Para não errar na forma de conduzir a turma, precisamos compreender os tipos de alunos em relação à educação que recebem em casa. E sim, vale a pena dar uma palestra “aula” mais aprofundada para os pais a respeito do que vou falar aqui resumidamente, já que o espaço é limitado:

Há basicamente 4 perfis parentais, ou seja, 4 formas principais de educar filhos. Para compreendê-los, precisamos saber o que pais adequados fazem. Eles equilibram afeto (muito carinho, conversa, intimidade, cumplicidade, compreensão, acolhimento, abraços, brincadeiras conjuntas, etc) e autoridade (colocação de regras, limites, ensinar os comportamentos sociais básicos, ensinar posturas adequadas para cada ambiente e os velhos segredinhos da educação dos antigos: por favor, muito obrigado, com licença, desculpa, perdão e eu te ajudo).  Resumindo, um equilíbrio entre afeto e autoridade é o segredo para educar os filhos da melhor forma. Vamos então ver quais são os 4 perfis parentais e suas consequências:

1 – Perfil negligente. Esse é o pior tipo de postura de um pai ou de uma mãe. Crianças cujos pais têm esse perfil sofrem muito, pois não aprendem a obedecer, a colaborar, a participar e muito menos a seguir regras.

2 – Perfil autoritário. Ordens, regras, limites exagerados e nada de afeto. Crianças sob esse tipo de pais sofrem por não acreditarem em si mesmos e não se engajam nas tarefas e desafios da escola por medo de errar, já que acham que sofrerão algum tipo de consequência.

3 – Perfil super protetor. Basicamente, as crianças mimadas demais não conseguem ouvir críticas, mesmo que construtivas e “empacam” quando não sabem algo, pois acham que é o professor o culpado de forçar a barra. Em geral não têm persistência, determinação, nem esforço.

4 – Perfil participativo. É o melhor de todos, mas infelizmente apenas um terço da sala tem pais assim: afeto e autoridade na medida certa.

Então como a escola deve proceder nesse retorno? Simples! Afeto e autoridade! Os professores devem acolher as crianças com muito afeto, muita motivação e alegria, mas sem deixar regras e princípios de lado, pois o que elas mais precisam nesse retorno é serem amadas de verdade, e isso significa que suas emoções são tão importantes quanto aprender a se comportar!

Bom retorno!