Educação financeira: como abordar o tema em sala de aula

O Ministério da Educação (MEC) tornou obrigatória a educação financeira nas escolas, em 2020. Desde então, escolas públicas e particulares de todo país precisam incorporar o tema, de forma transversal, em suas propostas pedagógicas.

Ou seja, a educação financeira pode ser associada a diversas disciplinas da educação básica, conforme prevê a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). É o que já acontecia, por exemplo, com as discussões sobre educação ambiental, ensino de história e cultura afro-brasileira, educação para o trânsito, entre outras.

Além disso, também em 2020, o Banco Central lançou o programa Aprender Valor. O objetivo é estimular o desenvolvimento de competências e habilidades de educação financeira e educação para o consumo em estudantes das escolas públicas brasileiras.

Neste momento, o programa está sendo implementado, em caráter experimental, em escolas selecionadas de cinco estados brasileiros. A ideia é relacionar a educação financeira com os conteúdos de Matemática, Língua Portuguesa e Ciências Humanas, de modo transversal e integrado.

Educação financeira em sala de aula

Aprender sobre finanças pessoais, orçamento, consumo consciente e investimentos. Tudo isso faz parte das discussões sobre educação financeira, que começam a ser debatidas também em sala de aula.

Para Fernando Vargas, coordenador pedagógico da Conquista Solução Educacional, o foco deve ser em formar cidadãos que se sintam seguros a enfrentar os desafios da vida adulta, com autonomia e senso de responsabilidade.

O foco deve ser em formar cidadãos que se sintam seguros a enfrentar os desafios da vida adulta. Foto: FreePik.

Dessa forma, ensinar uma criança a lidar bem com o dinheiro, aumenta as chances dela se tornar uma pessoa que sabe administrar o seu salário, empreender e organizar a sua vida, sabendo comprar e poupar com consciência.

De acordo com Vargas, a partir dos três anos de idade já é possível oferecer noções de educação financeira para as crianças, de maneira prática. Nessa idade, o trabalho precisa explorar o consumo consciente e as emoções, como o famoso “eu quero”, mas sempre com foco em brincadeiras.

“É brincando que as crianças aprendem conceitos como gastar, trocar, emprestar, doar e poupar”, explica o coordenador pedagógico. Além disso, outros pontos que devem ser valorizados são como ganhar dinheiro, economizar e o consumir com consciência.

Conteúdo transversal

Como vimos, a BNCC inclui a educação financeira entre os temas transversais a serem trabalhados nas escolas. Dessa forma, o documento sugere, entre outros pontos, um trabalho conjunto entre as disciplinas de Matemática e História, por exemplo, para abordar o estudo do dinheiro e suas funções na sociedade, dos impostos, e do consumo em diferentes momentos históricos.

Já em Língua Portuguesa, a BNCC destaca habilidades como aprender a ler e compreender boletos, faturas e carnês. Em Ciências Naturais, o texto fala sobre habilidades relacionadas ao cálculo do consumo de energia elétrica de eletrodomésticos, e a avaliação do impacto do uso no orçamento mensal da família.

Educação financeira promove diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Foto: FreePik.

Vargas ressalta que a educação financeira promove um diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. “Isso porque, além da questão econômica, o consumo, o trabalho e o dinheiro envolvem dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas”, finaliza.

Educação financeira na prática

Nas aulas de inglês do Colégio Marista de Maringá (PR), as crianças da Educação Infantil e Ensino Fundamental também aprendem conceitos de educação financeira.

“Não falamos só de dinheiro. Ao longo do ano, os estudantes aprendem a lidar com seus sonhos e a refletir sobre como podem torná-los realidade a partir de planejamento, organização e estabelecimento de metas”, afirma a professora Ana Paula Garcia, coordenadora de Internacionalização e responsável pelo projeto.

Dessa maneira, durante as aulas, são propostas atividades lúdicas como brincar de lojinha. Além disso, a professora também organiza a Flea Market, uma feira virtual em que os alunos vendem itens de segunda mão.