Confira dicas para realizar atividades ao ar livre nas escolas

Depois de muito tempo de isolamento, enfim, as crianças estão de volta às salas de aulas. Elas sentiram falta dos espaços externos, dos colegas e da própria escola. Neste cenário, o desafio é acolher integralmente os estudantes, bem como descobrir novas formas de fazer escola.

Após quase dois anos de pandemia, a ciência já nos deu algumas respostas. Uma delas é que ambientes fechados e mal ventilados favorecem a transmissão do coronavírus. Assim, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que as escolas realizem e estimulem experiências de aprendizado ao ar livre.

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A escola deve estimular experiências ao ar livre. Foto: Colégio Marista

O retorno às escolas

A professora Merylin Franciane Labatut, gestora da Educação Infantil do Colégio Positivo, em Curitiba, ressalta que, antes de tudo, é preciso compreender a criança que está de volta às escolas. “Isso porque não é o mesmo aluno de março de 2020. Ele retorna após um cenário muito restrito de convivência. Todos eles, sem exceção, voltam com marcas de perdas, de medos, de incertezas”, afirma a professora.

“Dessa forma, nosso desafio é fazer que, ainda em pandemia, a infância dessas crianças volte a acontecer. Por isso, aproveitamos os espaços externos e a relação com a natureza para incluir os alunos.”

O Colégio Marista Paranaense, também em Curitiba, reorganizou a proposta pedagógica. Agora, o foco é utilizar, ainda mais, os espaços externos. De acordo com Sibele Guimarães, coordenadora pedagógica da Educação Infantil, a ideia é olhar para as propostas de aprendizagem e enxergar o ambiente do colégio que possa ser aproveitado. Ou seja, trazer as atividades para as áreas externas da escola. Isso inclui, por exemplo, o parquinho, o campo de futebol e o bosque. “As crianças valorizam mais ainda estes espaços depois do período de isolamento.”

Benefícios de atividades ao ar livre na escola

Segundo Sibele, o contato das crianças com o mundo natural é essencial para que elas se desenvolvam, mas também para que tenham todos os seus direitos de aprendizagem preservados.

“As atividades ao ar livre auxiliam no desenvolvimento de habilidades importantes na primeira infância. Entre elas: criatividade, sensibilidade, resiliência, flexibilidade, bem como raciocínio, capacidade de concentração e habilidades sociais. Além disso, elas terão uma relação muito melhor com a natureza e uma mentalidade mais sustentável”, acrescenta.

Para Merylin, os espaços externos são mais ricos do que a sala de aula. “A sala de aula é o momento de finalização do trabalho”, aponta a professora. Ela defende que os ambientes externos da escola propiciam a experimentação, os erros e os acertos. Além disso, também favorecem o trabalho com materiais não estruturados, como gravetas, coquinhos, grama e caixas.

“Então, quando a criança volta para sala, ela tem um repertório muito maior. Tanto para fazer o registro escrito quanto para se comunicar. Além disso, ela passa a se posicionar de uma maneira mais autônoma e segura.”

Atividades criativas fora da sala

Promover rodas de conversa: a dica da professora Merylin é criar ambientes para que os alunos possam falar sobre si e sobre o que estão sentindo.

“As crianças voltaram de casa com um desejo muito grande de falar, de contar, de se comunicar. Por isso, é importante que a escola tenha um espaço de tempo, independentemente do lugar, para que elas possam falar. A roda de conversa não precisa ser mediada, pode ser um espaço mais livre.”

Apostar em brincadeiras livres e guiadas: é importante que as crianças tenham um tempo para brincar livremente. Mas a escola também deve manter o encantamento da brincadeira, propondo atividades. No Colégio Positivo, o tradicional “telefone sem fio” foi realizado com mímicas, ao invés dos cochichos entre uma criança e outra.

As brincadeiras e cantigas de roda também foram mantidas. Mas, já que as crianças não podiam dar as mãos, pequenos gravetos as uniram. “Apesar das limitações, fizemos a cantiga e o movimento de roda. As crianças estavam uma de frente para outra e se olhando novamente”, recorda Merylin.

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Para manter as atividades de roda, escola fez adaptação com gravetos. Foto: Colégio Positivo

Novos espaços e possibilidades

Aproveitar o espaço físico: a dica de Sibele é aproveitar os espaços físicos da escola para estimular os sentidos. A ideia é que as crianças possam mexer com a grama, com as pedras, com a casca da árvore. Ao mesmo tempo, dar outros usos para esses elementos naturais.

A folha vira comidinha, o galho da árvore vira microfone. As atividades desenvolvem a criatividade e favorecem os vínculos sociais das crianças, tanto com os colegas como com os educadores.

Ocupar outros espaços da cidade: se a escola não dispõe de um espaço físico adequado, uma dica é levar os alunos para conhecer as áreas verdes da cidade. As crianças vão adorar visitar uma praça ou um parque próximos.

Arte, alimentação e natureza

Unir arte e natureza: a natureza sempre inspirou a arte. Dessa forma, uma dica é levar as crianças para desenharem ao ar livre. Com certeza, os desenhos sairão diferentes do que quando feitos dentro de sala. O Colégio Positivo fez questão de manter o trabalho com tinta, que as crianças adoram, mas adaptado à nova realidade.

Antes, o grande rolo de papel era esticado no bosque da escola para trabalhos coletivos. Agora, cada criança pinta o seu desenho. Depois, a professora une os trabalhos. Assim, é possível destacar o trabalho autoral de cada um e, em seguida, vislumbrar o resultado do coletivo.

Integrar alimentação com ambientes externos: a alimentação é um dos nossos primeiros contatos com a natureza. Por isso, Sibele sugere que a escola aposte em hortas coletivas. Assim, as crianças têm contato com a terra e aprendem a origem dos alimentos. Além disso, ainda podem comer de forma mais saudável.

Outra ideia é promover piqueniques. No Colégio Positivo, o lanche coletivo deu lugar a lanchinhos individuais. “Cada criança trouxe seu lanche, sua toalha. Mesmo assim, a gente percebeu o brilho no olhar de cada uma delas, por estarem fora de sala, andando descalças. Foi, realmente, um momento mágico”, destaca Merylin.

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