As contribuições da Neurociência para a educação

Por Brink Mobil

Nas duas últimas décadas, a Ciência e as tecnologias de imagem revelaram muito sobre o funcionamento do nosso cérebro, desde a sua formação até seu envelhecimento. Até os anos 50, por exemplo, nada se sabia sobre a existência de sinapses químicas cerebrais.

A Neurociência tem uma estreita relação com a educação, permitindo que se investigue como o cérebro aprende, ou seja, como o cérebro se comporta ao receber estímulos, de que maneira as novas informações são processadas e se consolidam como conhecimento para a vida toda.  Esse processo é a aprendizagem; a informação consolidada que permanece na chama memória de longa duração.

Nesse sentido, tal área da Ciência tem sido uma aliada dos professores, ao embasar novas estratégias educacionais muito diferentes das que tem sido aplicadas na maioria das instituições de ensino.

A Neurociência na sala de aula

Os estudos da Neurociência têm contribuído para melhorar a prática pedagógica e proporcionar uma aprendizagem mais eficaz, diminuindo a distância entre como o professor ensina e como o aluno aprende.

As pesquisas dos últimos vinte anos mostraram que o cérebro é plástico e tem a capacidade de criar novas conexões entre os neurônios durante toda a vida. Portanto, mesmo as crianças com alguma dificuldade de aprendizado podem ser estimuladas para aprender com maior eficiência.

A vontade de adquirir novos conhecimentos não é uma característica de alguns alunos, mas uma decisão de focalizar a atenção em determinado assunto ou situação. E a Neurociência é a prova de que, com o estímulo apropriado, é possível ensinar o aluno a focar no conteúdo ensinado e a ter mais concentração, e assim ampliar suas possibilidades de aprender.

Esse é o papel fundamental do professor nesse processo: oferecer estímulos diversos e reforçar as capacidades de cada estudante. Independente da faixa etária para a qual se ensina, é possível implementar estratégias que ajudem a conquistar a atenção do aluno, de modo que desperte nele a curiosidade pelos conteúdos tradicionais.

De acordo com outra descoberta da Neurociência, essas estratégias devem ser aplicadas com base na afetividade, ao invés de imposições ou ações punitivas para conquistar a atenção do aluno. O campo de estudo revelou que a empatia tem grande peso na aprendizagem, ou seja, a afinidade entre professor e aluno e entre os colegas de turma fortalece o processamento de informações.

Aprender com os 5 sentidos

Mas como fazer isso com uma turma heterogênea, onde cada aprendiz é único? É preciso encarar o fato que os estudantes possuem diferentes preferências sensoriais, ou seja, alguns gostam de leituras em voz alta, outros de copiar o conteúdo no caderno, enquanto outros preferem organizar mapas mentais ou fazer experiências práticas.

Quanto maior a diversidade de estímulos usada pelo educador, maior a chance de atingir o sentido com que o aluno aprende melhor e de garantir que o conteúdo chegue à sua memória de longa duração, fixando-se como conhecimento.

Nessas estratégias, inclui-se o estímulo aos cinco sentidos, com metodologias que exploram a visão, audição, tato e até mesmo o olfato e paladar.

Além de músicas, especialmente na Educação Infantil, literatura e debates orais, o educador deve usar a tecnologia a seu favor. Explorar os meios audiovisuais, tão presentes na rotina diária dos estudantes dessa era digital, são uma ótima forma de propor desafios e favorecer o engajamento da turma.

As aulas podem incluir vídeos relacionados ao conteúdo, assim como a produção desse tipo de material pelos próprios alunos. Outros métodos que certamente vão incentivar a participação e curiosidade são: escutar e gravar podcasts, ler e criar postagens para blogs e redes sociais, incluindo o uso de ferramentas on-line de design como o Canva, permitindo a exploração visual do tema trabalhado.