Como incentivar as crianças a comer melhor?

A infância é um período de muitos aprendizados que, se cultivados com base em hábitos saudáveis, podem trazer impactos positivos durante toda a vida. Entre os hábitos que são moldados já na infância está a alimentação.

Para Pietra Dohms, nutricionista infantil e escolar, uma alimentação saudável para crianças é aquela em que há diversidade, com base em uma dieta equilibrada e nutritiva, rica em alimentos in natura e minimamente processados.

O cuidado especial com as refeições está diretamente relacionado com o bem-estar, a saúde e a disposição das crianças. Nesse cenário, pais e educadores têm um papel fundamental no incentivo à educação alimentar e o consumo de uma dieta saudável e equilibrada.

“As crianças aprendem com os pais por meio da observação, por isso é essencial que o processo de educação alimentar seja conjunto e colaborativo – com as famílias diretamente envolvidas e atentas na formação da rotina alimentar infantil”, comenta Pietra.

Segundo a nutricionista infantil Paola Presse, esse cuidado deve começar já na introdução alimentar. Ela explica que é nesse período que se inicia a criação do bom hábito alimentar. “Se você dá a oportunidade de o bebê ter contato com alimentos in natura, feitos em casa, comida de verdade, se você respeita a idade dele para oferecer ou não certos alimentos, você está no caminho certo”, ressalta a especialista.

Já com as crianças maiores, o papel dos pais é o de oferecer alimentos saudáveis, além de evitar produtos industrializados. Por isso, Paola destaca quatro pontos essenciais para os pais ficarem atentos:

– Oferecer a maior variedade de alimentos in natura possível;
– Evitar o consumo de ultra processados que contêm corantes e conservantes;
– Não barganhar com a comida;
– Sempre incentivar a atividade física.

alimentação infantil
Pais devem incluir as crianças no processo de preparo das refeições. Foto: Pexels

Como incentivar as crianças a comer melhor?

Algumas dicas valiosas podem ajudar no desenvolvimento de uma relação saudável de crianças e adolescentes com os alimentos. Confira:

1. Dê o exemplo: crianças e adolescentes são mais suscetíveis às influências dos meios em que estão inseridos. Dessa forma, ver os pais, familiares e colegas se alimentando de forma saudável pode ser um incentivo para que sigam por esse caminho. “Faça as refeições juntos com as crianças de maneira igual. Não adianta falar que a criança não pode tomar refrigerante e ter na mesa do jantar ou geladeira”, diz a nutricionista.

2. Seja criativo: mesmo os adultos se cansam de uma alimentação saudável se ela for monótona, sempre com os mesmos alimentos. Por isso, varie o tipo de preparo, os temperos, a textura e a forma de apresentação. Isso pode ajudar a despertar o interesse das crianças pelo alimento saudável.

3. Estimule a autonomia: comer também é um processo que desenvolve a sociabilidade. Por isso, incluir a criança na escolha e preparo dos alimentos permite que ela se envolva com todo o processo de alimentação e se sinta mais motivada a provar novos sabores.

4. Valorize os momentos das refeições: faça das refeições um momento de tranquilidade e convivência. Estar em um ambiente adequado e com poucas distrações ajudar a fazer com que as crianças foquem na refeição, bem como prestem atenção na mastigação e na saciedade. Além disso, também é importante lembrar a criança de que o alimento deve ser ingerido devagar, explicando sobre o processo de digestão.

5. Evite imposições: se possível, introduza os alimentos de forma natural. Ofereça opções variadas para a criança e, caso haja resistência, tente explicar de forma simples a razão pela qual aquele alimento é bom para ela.

Doces e guloseimas: como lidar?  

Uma dúvida muito comum que cerca pais e educadores em relação à alimentação infantil está relacionada ao consumo de guloseimas, como refrigerantes, salgadinhos, além de diferentes tipos de doces. Conforme a nutricionista Paola Presse, as guloseimas não precisam ser proibidas, mas devem ser consumidas em pequenas quantidades e em baixa frequência.

“Quando a criança está em um ambiente onde a alimentação é baseada em ultra processados, junkie foods ou é exposta antes da hora a certos alimentos, a probabilidade de ela se tornar obesa é maior. Assim como assimilar guloseimas com comemorações, agrados ou compensações.”

Paola reforça como os pais podem dosar o consumo de açúcar pelas crianças, sem proibir ou enaltecer os doces. “Mostrando quando ela pode comer, que não precisa ter desespero ao ver um doce. Escolher os dias para consumir doces e comer felizes, sempre controlando a quantidade.”

Por fim, Pietra também apresenta duas dicas valiosas que podem tornar o consumo eventual de guloseimas mais saudável. “Saber interpretar os rótulos e a composição dos alimentos ultra processados permite que os pais optem por formulações com menores concentrações de aditivos e outros componentes prejudiciais à saúde das crianças. Além disso, é interessante substituir essa modalidade de alimentos por preparações caseiras. É possível, por exemplo, trocar um bolo ou cookie industrializado por um doce equivalente, mas feito em casa e com ingredientes menos nocivos.”

Alimentação infantil: o papel da escola 

A escola é um ambiente de aprendizado para crianças e adolescentes. Além disso, é um espaço de socialização que permite o contato com diferentes realidades. Dessa forma, o cuidado o incentivo ao desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis também é responsabilidade da escola e dos professores.

Cabe à escola, por exemplo, oferecer refeições baseadas nas necessidades nutricionais das crianças, além de promover ações e discussões sobre alimentação saudável. Do mesmo modo, falar sobre autonomia, escolha dos melhores alimentos, e também sobre o desperdício ajudam na formação integral da criança.

“Em um cenário ideal, as escolas devem articular de forma complementar o trabalho dos educadores com o conhecimento específico dos nutricionistas escolares. Assim, para criar e incentivar hábitos alimentares saudáveis nesses espaços, é importante abordar o assunto em sala de aula. Além disso, as cantinas devem oferecer opções variadas e que permitam a aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala aula”, comenta Pietra.

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