Como formar leitores na era digital?

A leitura é uma prática essencial para a formação social e cognitiva de crianças e adolescentes. Além disso, ela influencia na construção do saber e no aprendizado de todas as outras áreas. É também a base para formar alunos que sejam curiosos sobre o mundo, críticos e questionadores. Em outras palavras, que não sejam meros receptores passivos das informações. Com todas essas vantagens, a importância da prática da leitura é indiscutível. Mas os livros nunca tiveram tanta concorrência. Com PCs, celular, TV e tantas distrações, a leitura pode acabar sendo colocada para escanteio. E aí surge a pergunta: como formar leitores na era digital? 

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que hoje pode haver um excesso no acesso à informação. A consequência disso é a falta de concentração, uma realidade cada vez mais comum. A prática da leitura, entretanto, pode minimizar os efeitos negativos trazidos por toda essa aceleração do mundo atual. Isso é o que afirma Livia Vianna, editora executiva da Record.

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“Estudos em todo o mundo já provaram que o ato de ler é um dos mais eficazes exercícios para o cérebro. A leitura ativa as regiões necessárias para estimular nossa capacidade de compreensão e concentração. Por tudo isso, se antes o universo literário para a formação do aluno já era de extrema importância, é possível dizer que no século XXI essa importância só se intensificou”, diz Vianna. A reflexão está no relatório da pesquisa Leitores Digitais, realizada pela Árvore.

Uso de meios digitais 

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Plataformas digitais podem facilitar o acesso à leitura. Foto: Pexels

A tecnologia deve ser usada como aliada na educação. E, com a prática da leitura, não é diferente. Hoje, as plataformas digitais podem facilitar o acesso aos livros, jornais e às revistas. Além disso, os meios digitais favorecem a indicação e a mediação de leituras, de acordo com Letícia Reina, que é gestora educacional da Árvore, uma plataforma de leitura digital.

A leitura por meio das telas (seja de celular, computador ou tablet) pode promover até mesmo o avanço no número de livros lidos pelos jovens leitores. Isso é o que mostra a pesquisa Leitores Digitais, feita pela plataforma. De acordo com a especialista, o uso de plataformas digitais de leitura também pode facilitar a monitoria dos interesses dos alunos e alunas por parte da escola. Dessa maneira, os educadores podem indicar leituras que ‘combinem’ com essas escolhas.

Os professores e os leitores na era digital

Ainda de acordo com o estudo, os alunos da era digital leem mais quando há a indicação do professor. Além disso, os educadores fazem com que o impacto da leitura seja muito maior. Eles também provocam um maior engajamento dos alunos. Isso porque os livros indicados por eles foram os mais lidos nas plataformas da Árvore. 

O estudo analisou dados de 600.295 alunos de escolas particulares e de 178.157 alunos de públicas. Essas escolas são de todas as regiões do Brasil. A pesquisa também demonstrou que os livros indicados por educadores têm a maior taxa de leitura até o final da obra. Isso porque a motivação que os alunos recebem dos professores contribui para esse resultado. 

Professores são grandes motivadores da leitura. Foto: Pexels

Ou seja, os educadores são essenciais nesse processo. Por isso, é importante que eles possam buscar métodos de ensino aliados às mídias digitais. Afinal, “a escola e o professor precisam estar preparados para receber as crianças da era tecnológica informacional, que já chegam à sala de aula com um repertório midiático”. Isso é o que lembra a mestre em educação Liliane Menezes em “A criança da era das mídias digitais e sua relação com a leitura literária”. 

“Sabe-se que a escola, pública ou privada, tem um papel importante para os processos de inclusão digital das crianças”, diz Lilian. “Por isso, é necessário unir esforços do governo e outras instituições de ensino no intuito de oportunizar a igualdade de acesso à tecnologia a todos.”

Os hábitos dos alunos

A leitura é também a base para formar alunos que sejam curiosos sobre o mundo, críticos e questionadores. Foto: Unsplash

O estudo traz ainda outros dados que nos ajudam a entender os hábitos digitais dos alunos. Por exemplo, os mais novos completam as leituras de forma mais fácil. A explicação disso é o perfil das obras voltadas a esse público.

“De um modo geral, os livros voltados aos leitores adolescentes são mais longos e complexos. Por isso, é natural que os leitores digitais realizem suas leituras por capítulos, de acordo com que é pedido pelo professor”, diz Reina.

Outro dado interessante diz respeito aos temas mais lidos pelos alunos. Como a pesquisa foi feita com base em dados de 2020, o contexto desse ano se refletiu nessas escolhas de modo muito claro. Pandemia e medicina estão entre os assuntos mais buscados, por exemplo. Temas como tecnologia, comportamento e sustentabilidade também aparecem no ranking.

O incentivo para leitores na era digital inicia em casa

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Incentivo à leitura deve começar em casa. Foto: Pexels

Antes de tudo, é preciso lembrar que a prática da leitura não deve ficar só na escola. Os pais ou responsáveis devem começar o incentivo em casa. Afinal, a construção do hábito da leitura começa na infância. Por isso, o papel da família é essencial nesse processo. Mais do que decifrar códigos, a leitura deve ser um momento divertido e prazeroso. Os pais podem e devem auxiliar as crianças a explorar histórias.

Uma dica importante para incentivar as crianças é ler histórias para elas desde pequenas. Outra boa opção é passear em bibliotecas e livrarias. A tecnologia também pode ser usada, com o uso de plataformas que oferecem livros e conteúdos online, por exemplo. Essa opção é ainda melhor em tempos de pandemia, já que as crianças passam mais tempo em casa. 

Ensino lúdico desde a alfabetização

Conjunto quebra-cabeça ilustrado com letras
Foto: Brink Mobil

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