Avaliação formativa: o que é e como aplicar em sala de aula

A avaliação formativa é uma das protagonistas dentre os métodos avaliativos em sala de aula. Tem como definição ser um modelo de avaliação contínua do aluno, no qual os professores desenvolvem o trabalho pedagógico para analisar todo o processo de aprendizagem. Nesse sentido, tudo que o aluno produz é tido como dado relevante para entender seu entendimento ao longo do percurso de aprendizado.

Avaliação formativa e somativa

Essa forma avaliativa se difere da avaliação somativa, mais tradicional, centralizada no final do processo de aprendizagem. Ou seja, na somativa é feito um balanço do que os estudantes aprenderam ao final de um determinado período de tempo. De modo geral, consiste na aplicação de provas. “A avaliação somativa tem o principal objetivo de aprovar ou reprovar os estudantes, para validar a obtenção de títulos. Seja de encerramento do ensino fundamental ou médio, ou mesmo aprovação no vestibular. Tem essa ideia de validação e também atua como ranking por notas.” Quem explica é Lucas Pydd Nechi, Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Marista Escola Social Ir. Henri.

Diferente da somativa, a avaliação formativa considera diversas atividades que possam trazer para o professor e para o aluno a compreensão do quanto o conteúdo está sendo apreendido. Nesse sentido, não há procedimentos específicos para avaliação, uma vez que todas as atividades podem ser avaliativas. 

“Gosto de sugerir aos professores a prática da autoavaliação. Nela, próprio estudante analisa continuamente as atividades desenvolvidas e em desenvolvimento, registra suas percepções e sentimentos e identifica futuras ações, para que haja avanço nas aprendizagens”. Explica a pedagoga, professora e autora de livros sobre avaliação, Benigna Maria de Freitas Villas Boas.

avaliação formativa
Na avaliação formativa, o feedback e a autoavaliação dos estudantes são importantes para o trabalho pedagógico. Foto: Pexels

Principais características

É formativa a avalição que tem como características a inclusão, pois acolhe todos os processos de aprendizagem, de modo a não deixar nenhum estudante para trás. Essa proposta se compromete com uma abordagem mais intervencionista, uma vez que, depois de reconhecer as dificuldades dos estudantes, os professores devem adaptar as atividades, rever o planejamento.

Nesse sentido, a avaliação formativa carrega consigo o comprometimento com a aprendizagem de cada aluno como princípio. “Alguns estudantes aprendem rapidamente, outros necessitam de mais tempo. Compreender e respeitar o tempo de cada um deles é um ato ético”, destaca Villas Boas.

Assim, a avaliação formativa é também colaborativa. Acontece na proximidade entre docentes, estudantes, coordenadores pedagógicos, gestores e pais ou responsáveis. Sobretudo, se realiza na interação do professor com os estudantes. Desse modo, o plano pedagógico está aberto a modificações conforme o diálogo contínuo com o aluno.

“Uma prática fundamental da avaliação formativa é o feedback. Por meio dele o professor oferece aos estudantes informações sobre o desenvolvimento de suas aprendizagens e orientação que atenda suas necessidades”, explica Villas Boas.

Vantagens e desafios

Segundo Nechi, um dos benefícios da avaliação formativa é que a interação próxima com o aluno gera maior engajamento. Assim, ele se sente pertencente ao processo pedagógico. “A grande vantagem da avaliação formativa é que o processo de aprendizagem é mais importante que a nota final”, destaca. Contudo, é importante considerar que essa avaliação demanda maior preparação do professor, e mais tempo de qualidade em sala de aula. De tal forma, a redução de estudantes por turma pode facilitar essa interação.

Além disso, um dos principais desafios é que o sistema educacional tradicional ainda privilegia a avaliação somativa com o processo de obtenção de notas. “A escola em que eu trabalho hoje busca uma avaliação formativa. Porém, como é uma escola que está inserida na educação básica regular brasileira, ela tem que dar conta também de notas e pareceres. Assim, cada escola tem um desafio grande para inserir uma avaliação formativa estando dentro de um sistema que privilegia bastante avaliação somativa”, destaca o educador.

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