Férias escolares: como continuar aprendendo, brincando

O recesso escolar serve para descansar, não é mesmo? Porém, quando falamos de crianças, sobretudo as que estão na fase da primeira infância (do nascimento aos seis anos), o período não pode ser de relaxamento total. Ou seja, é possível e recomendável continuar a aprendizagem nas férias. Dados da National Summer Learning Association (NSLA) mostram que a interrupção total do aprendizado neste período pode levar a uma regressão intelectual da criança em habilidades como leitura, escrita e matemática. 

“Nas férias, o brincar e o relaxar devem prevalecer. No entanto, muitas das brincadeiras podem ajudar a educar”, diz Marianna Canova, pedagoga, mestre em Educação e diretora do Peixinho Dourado Berçário e Educação Infantil. 

De acordo com a especialista, muitas das brincadeiras comuns no dia a dia podem também ajudar a educar.

“É importante que a família compreenda o quanto a aprendizagem se encontra em qualquer espaço: na escola, num parque, na casa da avó. Se estivermos vinculados ao processo de aprendizagem, vamos manter esse vínculo mesmo no período em que as aulas não estiverem acontecendo”, salienta Marianna. 

Aprender brincando

Segundo ela, o brincar livre é sempre bastante construtivo, porque envolve o mundo da imaginação o que, por si só, já traz muita aprendizagem. Mas é possível agregar algumas atividades formativas, inclusive durante viagens. Desta forma, Marianna exemplifica: 

  • Se a família for passar férias em uma chácara, o tradicional esconde-esconde pode fazer parte das brincadeiras. Proponha para a criança, ao brincar, que ela conte quantas árvores há naquele espaço para que o grupo possa se esconder. Isso trabalha as habilidades matemáticas. 
  • A amarelinha, outra atividade onipresente no universo infantil, é uma das mais ricas quando se trata do desenvolvimento. De acordo com Marianna Canova, ela trabalha coordenação motora, numerais, construção de equilíbrio, sequência, lateralidade e muitos outros conceitos fundamentais para se levar para a vida inteira. 
  • Melhor ainda se a amarelinha for desenhada na calçada ou em outros locais, com giz, carvão ou até mesmo com um pedaço de tijolo no asfalto. “Isso traz o envolvimento com a parte dos riscantes, e os desafios que acontecem por meio de desenhos com formas geométricas e linhas, o que trabalha a parte grafo-motora. E a gente também se envolve no meio da brincadeira”, fala a pedagoga. 
  • Outra opção é estimular o registro de acontecimentos recentes. Uma ida à praia, por exemplo, pode render um desenho ou até mesmo um texto, para as crianças que já estão alfabetizadas.

Falar, ler e contar histórias 

Outro elemento fundamental a ser incluído como aprendizagem nas férias é trabalhar a fala da criança. Logo, escolha brincadeiras que tragam rimas e memória linguística (em que a criança precise lembrar de uma sequência de elementos). Há no mercado diversos jogos que englobam o desenvolvimento da habilidade, além de atividades on-line.

A pedagoga também orienta que, no período de férias, não se deixe de lado a rotina de contar histórias (como antes de a criança dormir, por exemplo). “A imersão dentro da imaginação ajuda no desenvolvimento do dia a dia”, frisa. Brincar de montar uma livraria em casa, passear em bibliotecas e livrarias da cidade são outros meios que a especialista sugere para continuidade da aprendizagem. 

Além disso, é bom ficar atento às atividades oferecidas no seu entorno. Bibliotecas públicas de várias cidades e capitais, por exemplo, costumam ter programação voltada às crianças. Assim, consulte a que a sua cidade oferece. Grandes museus, como o Museu de Arte do Rio (MAR), no Rio de Janeiro, oferecem visitas educativas. O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, também promove ações, inclusive colônias de férias. 

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