Alfabetização: um processo rico, lúdico e criativo

Pensar em um processo de alfabetização significa mergulhar em um universo de descobertas para todos os envolvidos. As crianças, que aos poucos vão se empoderando das relações existentes em nosso sistema de escrita, e os professores, que acumular um saber mediante a observação e escuta atenta à trajetória de cada ser alfabetizando.

Assim, é fácil afirmar que não se trata de partir do mais fácil para o mais difícil, e sim iniciar e permanecer na língua que têm sentido para a criança, que a convida a pensar e se apropriar de forma significativa desse saber. Com esse entendimento, desmistifica-se a ideia de um processo alheio a um planejamento intencional e livre de intervenções pontuais.

Ao longo do tempo, muitos teóricos nos emprestaram seus saberes e descobertas sobre alfabetização. Cada um deles evidenciou diferentes indicações para a condução desse processo. Diante de tantas teorias, se faz necessário fazer escolhas pautadas naquilo que acreditamos e onde almejamos chegar.

É de comum acordo que todos os envolvidos no processo desejam a alfabetização. Mas afinal, o que significa estar alfabetizado hoje? Esse conhecimento é o mesmo do que há 20, 30 anos atrás? A língua que hoje conhecemos e interagimos em nosso dia a dia permanece sem modificação ao longo desses anos?

Ao pensar sobre essas questões entendemos que a prática educativa precisa atender às demandas de nosso tempo social e, para que isso aconteça, é necessária uma mudança de paradigmas. Isso não significa deixar de lado toda a construção histórica de saberes no que diz respeito à alfabetização, mas considerar a necessidade de adaptações, alterações e sobretudo inovações.

Vamos refletir sobre alguns princípios importantes para a organização das práticas alfabetizadoras?

As crianças estão ávidas por esse saber

Reconhecer isso significa se comprometer com uma importante missão. Corresponder às expectativas da criança e entregar em suas mãos um saber que permita a ela transitar confortavelmente por todas as situações em que a língua se faz presente.

O processo de alfabetização deve promover a interação com a língua

As proposições precisam possibilitar às crianças interagir significativamente com a língua. As atividades devem acionar a língua real e viva existente no dia a dia da criança.

A alfabetização não compreende somente aprender a ler e a escrever

O aprendizado da língua envolve garantir autonomia de utilização da fala de modo organizado, da escuta compreensiva, da leitura com entendimento do que se lê e da escrita competente, capaz de transmitir ao interlocutor a mensagem que se deseja.  Para isso, o processo de alfabetização deve contemplar práticas e recursos que permitam que as crianças adquiram essas habilidades mediante consulta, análise, investigação e utilização da fala, escuta, leitura e escrita em situações diversas.

Os encaminhamentos didáticos precisam ser recheados de ludicidade e criatividade

É imprescindível considerar a etapa de desenvolvimento em que as crianças se encontram para organizar os encaminhamentos didáticos. A faixa etária das crianças no período da alfabetização concentra-se dos 4 aos 7 anos, um período da infância muito importante e que precisa ser respeitado. Isso significa que as práticas envolvendo a língua precisam ser lúdicas, criativas e convidar as crianças para a ação. Jogos e brincadeiras são excelentes estratégias didáticas para acionar a investigação do aluno sobre a língua.

Recursos didáticos dinamizam a ação educativa e geram maior interação das crianças com o conhecimento

A sala de aula deve ser um ambiente convidativo, vivo e dinâmico! Ela é o laboratório de aprendizagem das crianças. Enriquecê-la com recursos didáticos oferece a todos maiores possibilidades de exploração e aprendizagem. Livros de literatura, de pesquisa, cartazes que colaboram com a rotina diária: chamada, calendário, combinados da turma, murais e abecedário, bem como letras móveis, jogos, teatro e fantoches criam um universo de oportunidades.

“Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende”

CÉSAR COLL

Michelle Taborda

Pedagoga, especialista em inclusão e Educação especial. Autora de livros didáticos de Educação infantil e alfabetização.