Alfabetização em tempos de pandemia

Um dos grandes desafios do ensino remoto foi a alfabetização das crianças que estavam só no início da jornada educacional. É o caso do Kaue, de sete anos, aluno do Colégio Acesso em Almirante Tamandaré, no Paraná.

“Quando matriculamos o Kaue, no ano passado, logo veio a pandemia e as aulas presenciais foram suspensas. Cogitamos tirar ele da escola, mas graças à diretora da unidade, que nos convenceu a experimentar o modelo remoto, ele aprendeu a ler e a escrever durante as aulas on-line”, conta a mãe do aluno, Darliane da Silva.

Modelo de educação digital

De acordo com especialistas, muitas escolas não conseguiram obter sucesso no ensino remoto por falta de planejamento, uma vez que o método aplicado era inadequado ao formato não presencial.

Segundo a diretora pedagógica do Grupo Acesso, Guida Weber, as aulas on-line funcionaram no colégio graças à tecnologia utilizada, somada à metodologia aplicada pelos professores e à dedicação dos pais e alunos. “Desde o começo, sabíamos que a mesma didática aplicada nas aulas presenciais não seria eficaz no formato remoto. Então, criamos um modelo de educação digital que combina uma plataforma tecnológica, para o acompanhamento do progresso do aluno, com um método específico para o ambiente virtual”, explica.

Para a mãe do aluno alfabetizado remotamente, a metodologia empregada fez toda a diferença, assim como a orientação dos professores aos pais sobre quando e como ajudar a criança que está aprendendo em casa. “Os professores eram maravilhosos e conseguiam prender a atenção de todos os alunos na tela. O Kaue esperava ansioso pela hora da aula e, depois de alguns dias, já se desenvolvia sozinho e nem precisava do meu auxílio. Aos poucos ele foi aprendendo a reconhecer as letras, depois os sons e então aprendeu a ler, escrever e, inclusive, a formar frases”, relata Darliane.

Dicas para ajudar na alfabetização das crianças em ensino remoto

A alfabetização é um dos períodos mais desafiadores da vida escolar. Segundo Lucila Sarteschi, coordenadora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental do Colégio Renascença, em São Paulo, uma das maiores dificuldades está relacionada à escrita – tanto o desenvolvimento motor quanto a passagem da letra bastão para a letra cursiva.

No que diz respeito ao ensino de ler e escrever no formato remoto, a coordenadora ressalta que a parceria entre a escola e a família pode fazer toda a diferença. Para auxiliar o processo, a educadora compartilhou dicas de atividades e brincadeiras que podem ser feitas com as crianças, em casa, para estimular a alfabetização:

  • Criar listas: os pais podem convidar a criança a escrever listas de compras, de lugares a serem explorados, entre outros. Listas estimulam a organização do pensamento e fazem parte do “escrever com sentido”.
  • Bilhetes pela casa: a escrita de bilhetes e convites também é uma excelente ferramenta, pois os textos são curtos, de fácil compreensão e cumprem um papel social. Por meio deles, pais e filhos podem estreitar laços de confiança e segurança, tão importantes nesse momento. Além disso, essa brincadeira também pode ajudar com que as crianças elaborem e expressem os sentimentos.
  • Cultivar a leitura : de acordo com a profissional, a parceria dos pais é importante também na leitura de diferentes gêneros textuais, como: crônicas, poesias, gibis, contos. Desta forma, estimulam e demonstram a importância dessa habilidade; não apenas no âmbito acadêmico, mas também por ser um hábito divertido e prazeroso.

A coordenadora tranquiliza os pais quanto às possíveis lacunas na aprendizagem, por conta da falta de contato presencial. “Algumas conquistas educacionais, como posicionar o lápis na pauta e realizar movimentos corretos e precisos, exigem tempo, treino, persistência e observação por parte do professor. Mas será possível recuperar esses aprendizados, assim como as falhas de gramática e ortografia, nos próximos anos de escolaridade”, finaliza.

Fontes: Excom Comunicação / Trópico Comunicação

Foto: divulgação